quarta-feira, 15 de abril de 2020

Reflexões pandêmicas - 05


É impressionante como a ideologia tomou de assalto muitas igrejas "evanjélicas".

Sim, para elas hoje tudo é ideologia, de cabo a rabo, de ponta a ponta.

Seus líderes (e seguidores) chegam ao ponto de dizer que a medicina e o método científico são questões ideológicas, insistindo que este medicamento e aquele tratamento devem ser obrigatoriamente utilizados em tempos de pandemia.

Negam a ciência quando lhes é conveniente, quando o que querem mesmo é controlá-la para atender os seus interesses inconfessáveis.

Chame isto como quiser, com os neologismos "iteologia" ou "ideolatria", o estrago já está feito, os dias foram contados e o reino passou de ti.

Mene, mene. Tequel. Ufarsim...





quarta-feira, 8 de abril de 2020

Reflexões pandêmicas - 04


Quando a gente lê o Velho Testamento - e percebe a infidelidade que marcou a história dos reinos de Judá e Israel - começamos a nos perguntar como é que este povo foi capaz de abandonar a lei, os sinais maravilhosos e os ensinos do Senhor e se prostituir alegremente atrás de outros deuses, período após período, com raras exceções.

Os antigos livros históricos estão recheados de líderes (patriarcas, juízes, reis e até alguns profetas) que permitiram que seu rebanho se desviasse após divindades estrangeiras como Baal e Astarote.

Nós, cristãos do século XXI, sempre olhamos com um certo desdém para o povo bíblico daquela era, nos considerando, por assim dizer, imunes ao paganismo e à idolatria.

Entretanto, a realidade da modernidade nos pegou de calças curtas, e nos mostrou - na nossa meninice vaidosa - que a antiguidade não tem nada de diferente dos tempos atuais.

A pandemia que hoje devasta a Terra reforçou o comportamento de muitos "evanjélicos" que preferiram dobrar seus joelhos a um poste-ídolo em nome de uma "ideolatria", uma adoração da ideologia que - felizes e gozosos - abraçam e defendem com unhas e dentes.

Um fanatismo inaudito invadiu muitas denominações que se dizem "cristãs", já que não se pode mais chamá-las de "igrejas" visto que funcionam como comitês eleitorais e partidos políticos.

Tudo isto aceito com a mais absoluta normalidade, como no sermão profético de Jesus em Mateus 24:38, em que todos "comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento" antes do dilúvio, até que veio o fim.

Torna-se imperioso, portanto, reler o capítulo 24 do evangelho (com G) de Mateus, pois "muitos hão de se escandalizar, trair e odiar uns aos outros" (v. 10) e "por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos" (v. 12).

Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!


segunda-feira, 6 de abril de 2020

Reflexões pandêmicas - 03


Parece que a pandemia teve o condão de atiçar ainda mais certos indivíduos  aproveitadores que se identificam como líderes "evanjélicos" (com J mesmo já que não têm nada a ver com o evangelho com G que eles não pregam).

Com o isolamento forçado pelas autoridades de saúde pública, estes charlatões perderam completamente as estribeiras ao se verem desprovidos de rebanho, arrecadação e - sobretudo - de como ostentar uma "espiritualidade fingida" para manipular tudo isto a seu favor.

Impedidos de apelar às encenações presenciais emotivas acompanhadas de suas ameaças verbais travestidas de "sabedoria" religiosa, restou-lhes o perigoso discurso vitimizado mediante o qual adoram o poste-ídolo que os (des)governa, vociferam os seus impropérios e apresentam dados mentirosos, tentando trazer o rebanho de volta aos seus templos e à economia em geral, como se o mundinho em que vivem estivesse desconectado das penúrias planetárias.

Revelam-se completamente desconectados da realidade, dissociados da humanidade e - pior - da graça de Deus, pois no seu "evanjelho" só existe espaço para aquilo que eles são capazes de comandar e realizar com as próprias forças, sem nenhum vínculo ou compromisso com o caminho, a verdade e a vida (João 14:6).

Na sua "pregação" não há, portanto, espaço para a provisão de Deus, visto que pelo seu agir e falar - implicitamente - eles negam que o Todo-Poderoso tenha qualquer controle da situação atual.

No desespero, pouco lhes importa que seus atos e palavras delatem ao mundo que eles servem ao pai da mentira (João 8:44).


sexta-feira, 3 de abril de 2020

Reflexões pandêmicas - 02


Chama a atenção a informação divulgada ontem, 2 de abril de 2020, de que a COVID-19, enfermidade causada pelo coronavírus (SARS-CoV-2), atingiu a simbólica (e macabra) marca de 1 milhão de infectados no mundo, com 51.718 mortes confirmadas até então.

Ainda que haja divergências muito significativas entre os registros oficiais e as estimativas extraoficiais (supondo-se na casa de 15 a 30 vezes maiores as segundas do que os primeiros), o espraiamento da contaminação nos permite chegar pelo menos a três conclusões.

A primeira é a constatação prática e definitiva da nossa humanidade comum, do quanto somos interligados e codependentes não só como povos, economias, nações, idiomas, etnias, mas sobretudo como a espécie frágil que domina o planeta Terra.

A segunda é que esta, digamos, comunhão de destinos passa inicialmente pelo recorte de classe social até se homogeneizar e pender para o lado mais fraco.

Explico: o contágio começa pelas classes superiores, executivos e turistas que viajam pelo mundo carregando consigo e irradiando a ameaça virótica, depois passam para suas famílias e daí se espraiam para aqueles que com eles trabalham até atingirem as grandes massas proletárias desestruturadas e desassistidas por um sistema político-econômico que as ignora.

Neste aspecto, uma das primeiras mortes registradas no país foi a de uma empregada doméstica na casa dos 60 anos de idade que conviveu com sua patroa que havia acabado de regressar da Europa com os sintomas característicos da COVID-19 e não a havia alertado do risco que ela estava correndo enquanto - já enferma - explorava o trabalho digno e honesto da serviçal.

Um triste retrato imperfeito e acabado do Brasil.

A terceira conclusão vem da observação de que "pipocam" nas redes sociais as imagens dos outros animais que, surpresos com a desocupação humana das ruas e das cidades, estão pouco a pouco se aventurando em domínios nunca antes visitados.

Outro dia mesmo, tendo que quebrar momentaneamente a quarentena para atender uma necessidade básica absoluta de casa, reparei como os pássaros silvestres estão se comportando diferente, voando aleatoriamente felizes e proclamando as ruas vazias como suas.

Desconfio que a natureza reclama de volta o planeta que os humanos não souberam cuidar.