segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Dietrich Bonhoeffer e a "burrice ostentação"

Dietrich Bonhoeffer foi um pastor e teólogo alemão, nascido em 1906, preso por conspirar contra Hitler, e depois enforcado a mando deste em 9 de abril de 1945, um mês antes do conflito acabar.

Ainda livre, chamou a atenção para a estultícia, a tolice, que aos poucos foi se impregnando num povo tido como sábio e desenvolvido, como é o povo alemão, a ponto de resultar na gigantesca tragédia que foi a Segunda Guerra Mundial, onde o mal parece ter chegado ao seu apogeu na humanidade.

Nada muito diferente da atual fase brasileira, onde a mediocridade impera e a burrice é ostentada como uma espécie de trunfo "cala-boca!" da imbecilidade institucionalizada.

No início do seu cativeiro, em 1943, Bonhoeffer escreveu um texto intitulado "Sobre a tolice" (para acessar o texto completo, clique aqui), em que diz o seguinte:
A tolice é um inimigo mais perigoso do bem do que a maldade. Contra o mal se pode protestar, é possível desmascará-lo, pode-se, em caso de necessidade, impedi-lo com o uso da violência. O mal sempre já traz em si o germe da auto-desagregação, pelo fato de deixar ao menos um mal-estar na pessoa. Contra a tolice não temos defesa. Nada se consegue com protestos nem com violência; argumentos não adiantam; a fatos que contradizem o próprio preconceito não se precisa dar crédito – em tais casos o tolo até mesmo se torna crítico – e se esses fatos são incontornáveis, simplesmente se pode pô-los de lado como casos isolados sem significado. Diferentemente do malvado, o tolo está completamente satisfeito consigo mesmo; ele até mesmo se torna perigoso, pois facilmente se sente provocado e passa à agressão. Por isso, recomenda-se mais cautela em relação ao tolo do que ao mau. Nunca mais tentaremos persuadir o tolo com argumentos; é inútil e perigoso. 

         (BONHOEFFER, Dietrich. Resistência e Submissão. Ed. Sinodal, 2003)

Hoje, olhando pelo retrovisor da História, ficamos com a impressão de que Bonhoeffer lutou contra um mal muito visível, fácil de identificar, um monstro com enormes garras, que por muito pouco não ceifou todo um país.

Entretanto, a mesma História ensina que nos esquecemos facilmente de que uma série de pequenas permissões e louvações à estultícia de um "salvador da pátria" fez com que uma imensa tragédia se abatesse sobre toda a humanidade, e não só a Alemanha.

Que o Brasil tenha melhor sorte!



terça-feira, 9 de outubro de 2018

"Ser bom" é a tentação que hoje atormenta os evangélicos brasileiros


(Por sua atualidade, revisitamos este tema, que foi publicado originalmente no nosso outro blog O Contorno da Sombra - hoje desativado - em maio de 2011)

Em seu livro "Eichmann em Jerusalém" (Companhia das Letras, 1999), a filósofa alemã de origem judaica Hannah Arendt, com a perspicácia que lhe é peculiar (e que lhe rendeu muitas polêmicas também), consegue captar as nuances que (de)formaram o caráter da população alemã no período do Terceiro Reich, e resume de maneira brilhante a situação do "homem médio" nazista diante da possibilidade de cometer um ato que ele sabia ser criminoso (de acordo com a lei ou o direito natural ou sua consciência) e pecaminoso (de acordo com a religião que professava):

E assim como a lei de países civilizados pressupõe que a voz da consciência de todo mundo dita "Não matarás", mesmo que o desejo e os pendores do homem natural sejam às vezes assassinos, assim a lei da terra de Hitler ditava à consciência de todos: "Matarás", embora os organizadores dos massacres soubessem muito bem que o assassinato era contra os desejos e os pendores normais da maioria das pessoas. No Terceiro Reich, o Mal perdera a qualidade pela qual a maior parte das pessoas o reconhecem - a qualidade da tentação. Muitos alemães e muitos nazistas, provavelmente a esmagadora maioria deles, deve ter sido tentada a não matar, a não roubar, a não deixar seus vizinhos partirem para a destruição (pois eles sabiam que os judeus estavam sendo transportados para a destruição, é claro, embora muitos possam não ter sabido dos detalhes terríveis), e a não se tornarem cúmplices de todos esses crimes tirando proveito deles. Mas Deus sabe como eles tinham aprendido a resistir à tentação.
(p. 167)

Não é à toa que o subtítulo do livro de Arendt é "um relato sobre a banalidade do mal". 

Retrata uma inversão de valores levada aos extremos mais absolutos entre bem e mal, bondade e maldade, dever e consciência, até chegar ao ponto em que um se converte no outro (e o outro se converte no um) de maneira que o único sentimento válido restante é aquele amalgamado pela ideologia do totalitarismo, personificada na suprema vontade do Führer, que se confunde com a vontade de Deus e a vontade do próprio povo, sobrepondo-se a elas e subvertendo também o ditado popular vox populi vox dei ("a voz do povo é a voz de Deus"), que - curiosamente - é a negação da Bíblia desde que Moisés deixou claro que "não seguirás a multidão para fazeres o mal, nem numa demanda darás testemunho, acompanhando a maioria, para perverteres a justiça" (Êxodo 23:2). 

Um dos meios utilizados por Hitler foi aproveitar e exacerbar o preconceito antissemita que já estava introjetado em grande parte da população alemã, e onde existe o preconceito já está lá instalada, também, a predisposição para concretizá-lo e levá-lo às últimas consequências, lamentavelmente. 

Mesmo assim, entretanto, o resultado é que a tentação muda de figura, não significando mais fazer o que é moralmente errado ou legalmente proibido, mas (in)justamente o contrário. 

Ainda que houvesse farta legislação antijudaica (as famigeradas leis de Nuremberg de 1935), mesmo que a consciência o acusasse, o nazista se sentia compelido a fazer o que era mau e errado. 

Na sua deturpada visão de mundo, sentir que deveria fazer o que era bom e correto não passava de uma tentação a ser evitada a todo custo, e o resultado disso, quando não era traduzido em atos monstruosos de aniquilação dos diferentes, foi uma gigantesca omissão coletiva que ajudou a matar milhões de pessoas. 

É verdade que houve alguns poucos alemães que mantiveram a lucidez de identificar onde estava o perigo (e boa parte deles morreu lutando contra as forças das trevas), mas esta definição de Hannah Arendt sobre a, digamos, "inversão da tentação" não pode jamais ser esquecida, não só por razões religiosas, mas sobretudo para manter vivo o aprendizado (e o exercício) da democracia e da cidadania contra todos aqueles que querem solapá-las.

(Qualquer semelhança com o atual estado da igreja dita "evangélica" no Brasil, e todo o contexto político e discurso de ódio que a  engoliu, não é mera coincidência, infelizmente)


sábado, 6 de outubro de 2018

Réquiem para um ex-país


Amanhã, o ex-país chamado Brasil elegerá seus novos líderes nos mais variados níveis.

Independentemente da sua crença religiosa e/ou ideológica, ore para que o Senhor tenha misericórdia deste povo tão sofrido e miserável, inclusive quanto àqueles que dizem ser canais de comunicação com o divino e se arvoram - com fingida piedade - no suposto "direito" de indicar (a eles e ao próprio Deus) qual caminho seguir.

Isto depois de terem falhado tão miseravelmente na função de pacificar o ex-Brasil.

Que seja feita a vontade do Senhor, e sejam eleitos aqueles que Ele permitir que sejam escolhidos com o fim de pacificar e resgatar das ruínas este ex-país, sem olhar para os nossos pecados e as nossas preferências políticas de ocasião, tão minúsculas e insignificantes diante da magnitude do desafio que somente o Todo-Poderoso na Sua onisciência pode enfrentar e resolver a contento.

Peçamos misericórdia ao Senhor com a certeza de que, vença quem vença, perca quem perca, Ele sempre esteve, está e estará no comando da nossa História como indivíduos e como nação.

Apesar de nós...

Que seja feita a Sua vontade soberana!

Prostremo-nos com nosso rosto no pó, talvez ainda haja esperança (Lamentações de Jeremias 3:29)

Misericórdia, Senhor!








domingo, 30 de setembro de 2018

Suas boas intenções não representam nada diante de Deus


João 8

Jesus, porém, foi para o monte das Oliveiras.
Ao amanhecer ele apareceu novamente no templo, onde todo o povo se reuniu ao seu redor, e ele se assentou para ensiná-lo.
Os mestres da lei e os fariseus trouxeram-lhe uma mulher surpreendida em adultério. Fizeram-na ficar em pé diante de todos e disseram a Jesus: "Mestre, esta mulher foi surpreendida em ato de adultério.
Na Lei, Moisés nos ordena apedrejar tais mulheres. E o senhor, que diz? "
Eles estavam usando essa pergunta como armadilha, a fim de terem uma base para acusá-lo. Mas Jesus inclinou-se e começou a escrever no chão com o dedo.
Visto que continuavam a interrogá-lo, ele se levantou e lhes disse: "Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar pedra nela".
Inclinou-se novamente e continuou escrevendo no chão.
Os que o ouviram foram saindo, um de cada vez, começando com os mais velhos. Jesus ficou só, com a mulher em pé diante dele. Então Jesus pôs-se de pé e perguntou-lhe: "Mulher, onde estão eles? Ninguém a condenou? "
"Ninguém, Senhor", disse ela. Declarou Jesus: "Eu também não a condeno. Agora vá e abandone sua vida de pecado".

(João 8:1-11)

A passagem bíblica acima é bastante conhecida e a ênfase sempre recai sobre o "primeiro a atirar pedra nela", sendo ela a mulher adúltera, que não tem nada a ver com Maria Madalena, caso você perpetue e ainda incorra neste erro interpretativo.


(Maria Madalena era a mulher "de quem haviam saído sete demônios" em Lucas 8:2)



No trecho acima, do Evangelho de João, é muito conhecido também o fato de que os mestres da lei e os fariseus queriam deixar Jesus em maus lençóis diante do povo.



Se Ele dissesse que a Lei mosaica deveria ser cumprida (e a mulher apedrejada), anularia sua pregação sobre a graça de Deus; se a absolvesse sumariamente, sem dizer nada, poderiam acusá-lo de descumprir aquela mesma Lei da qual Moisés havia sido canal do Altíssimo para implementá-la.



A solução dada por Jesus espantou a todos, figurada e literalmente falando, e até hoje é cantada em verso e prosa mesmo fora dos arraiais cristãos.



Seu convite para atirar a primeira pedra ainda ressoa como exemplo de sabedoria prática, expondo à luz do sol e de Deus a hipocrisia das presunções humanas supostamente "piedosas" diante da dura realidade da vida.



Uma outra abordagem, entretanto, é possível: quando se está diante de Deus, todas as nossas desculpas, racionalizações, arroubos éticos e boas intenções se esvaem.



Inexoravelmente.



Quando aqueles homens e mulheres se colocaram diante de Jesus, eles não imaginavam que seriam inteiramente despidos de seus fingimentos e reputações para que restasse diante do Senhor apenas a verdade sobre quem eles eram.



De nada lhes adiantou representar um papel religioso publicamente aceitável e socialmente valorizado.



Ficaram nus.



Os mais velhos, primeiro...


E o som das pedras caindo das suas mãos, uma a uma, ecoa por toda a eternidade.

Ninguém consegue resistir diante da Verdade.




sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Crentes quânticos



A história é real, mas evitarei identificar as pessoas e as situações para que ninguém se sinta pessoalmente ofendido, já que vou utilizar um exemplo – infelizmente - corriqueiro para, a partir dele, traçar o perfil de toda uma geração que se diz “evangélica”.


O fato é que uma pessoa razoavelmente conhecida no ambiente empresarial, e que se diz “evangélica”, afirmou num certo meio - algum tempo atrás - que “acredita na física quântica”.


Isto sem mencionar Cristo em nenhum momento.


Obviamente, essa suposta “crença na física quântica” já é algo que faz corar qualquer físico digno deste nome, eles próprios já tão envergonhados com o desvio esotérico que Fritjof Capra deu a esta nobre área do conhecimento com o seu “Tao da Física”, só para citar um de seus livros.


Daí porque não nos arriscaremos a abordar este campo do saber, primeiro porque não o dominamos (sequer o arranhamos) e, segundo, porque respeitamos quem o estuda seriamente e não quer confundir alhos com bugalhos, nem partículas com questiúnculas.


Voltando ao primeiro parágrafo, portanto, aquela pessoa ali referida, que tem aparência e linguajar “evangélicos” e “crê na física quântica”, tem uma equipe de “oração” devidamente postada na sua empresa, pronta para “vibrar” qual “partícula quântica” enquanto as vendas são feitas (e parece que a “vibração” funciona).


Sim, o “deus” dessa gente é “tremendo”.

Curiosamente, certos, digamos, “deslizes” como criatividade tributária, palavras não honradas, calotes e outras práticas igualmente pouco ortodoxas são deixadas pra lá.

Melhor não mencioná-los.

O fato é que esta pequena narrativa da vida real revela que esses “evangélicos” atuais estão muito mais preocupados em “vibrar” do que orar.


Assim como a mulher de César, eles precisam – mais do que ser crentes – parecer crentes.

Para tanto, é necessário seguir um certo ritual, vibrar, tremer, gritar e proferir discursos seguindo determinado jargão na linha do pensamento positivo, repetindo mantras gospel e frases pomposas – supostamente piedosos - a fim de que possam ser reconhecidos como os “escolhidos” que, na sua visão enviesada, herdarão esta terra.

(Curioso também perceber que os poucos que ouviram falar da teologia de Calvino o detestam, mas na vida real - e no discurso - se comportam como hipercalvinistas)


E não para por aí.

Outro dia, passando por uma cidade do interior, reparei na – talvez – “missão” que estava escrita abaixo do nome de uma dessas inúmeras denominações que se multiplicam hoje em dia, e lá estava “amar a Deus, amar a vida, amar as pessoas”.


Tivesse esse povo dito “evangélico” praticado a leitura (e vivência) da Bíblia ao invés de apenas “vibrar” e decorar frases feitas, teria lido em uma de suas passagens mais marcantes que o próprio Cristo disse que “aquele que ama a sua vida, a perderá; ao passo que aquele que odeia a sua vida neste mundo, a conservará para a vida eterna” (João 12:25 - NVI).


Em triste resumo, Jesus não seria aceito hoje por aqueles que dizem segui-lO, talvez porque não vibrasse nem pensasse positivo o suficiente para esta gente tão preocupada em “amar a vida” à sua própria maneira.


Tremendo...




sexta-feira, 1 de junho de 2018

Frutos de justiça



“E peço isto: que o vosso amor cresça mais e mais em ciência e em todo o conhecimento,
Para que aproveis as coisas excelentes, para que sejais sinceros, e sem escândalo algum até ao dia de Cristo;
Cheios dos frutos de justiça, que são por Jesus Cristo, para glória e louvor de Deus”
(Filipenses 1:9-11)



É muito triste ver que - hoje em dia -muitos dos que se dizem cristãos têm interesses materiais e desejos de poder que se sobrepõem ao bom evangelho de Cristo, e são coniventes com a profusão de frutos da injustiça, ao contrário do que recomenda o apóstolo Paulo em Filipenses 1:11.

Não se escandalizam com a miséria, não se solidarizam com os que sofrem, não se condoem com os que choram, não estendem a mão a quem precisa de ajuda.

Não praticam a misericórdia...

Aceitam passivamente a injustiça, a miséria e a exploração desumana do homem pelo homem como subprodutos incontornáveis da sociedade em que estão inseridos.

Desta maneira, ser cheio de "frutos de justiça", condição que Paulo caracteriza como sinal identificador do cristão, é algo que não se prega e muito menos se vive.

E esta não é uma "invenção paulina"...

O próprio Salvador, referindo-se àqueles que O seguiriam, fez questão de frisar que "pelos seus frutos os conhecereis..." (Mateus 7:16, 20-21).

A Bíblia na Linguagem de Hoje traduz Filipenses 1:11 da seguinte forma: "A vida de vocês estará cheia das boas qualidades que só Jesus Cristo pode produzir, para a glória e o louvor de Deus", indicando em nota de rodapé que chama de "boas qualidades" o fruto do Espírito Santo (Gálatas 5:22-23).  A Bíblia de Estudo Wiersbe (NVI) explica o versículo da seguinte maneira:
"A diferença entre frutos espirituais e 'atividades religiosas' é que os primeiros trazem glória a Jesus Cristo.
Toda vez que fazemos alguma coisa com a nossa força, temos a tendência de nos vangloriar dela.
Os verdadeiros frutos espirituais são tão bonitos e maravilhosos que ninguém pode reivindicar o crédito por eles; a glória deve ir somente para Deus"
Uma imersão no texto bíblico permite concluir, entretanto, que "fruto de justiça" seja traduzido exatamente pelo que ele significa à primeira vista: obras de justiça, ou seja, a situação de quem se indigna com a injustiça e trabalha para vencê-la e superá-la na prática do dia-a-dia.

Tiago, em seu estilo direto de pregar sem meias-palavras, ensina que “Ora, é em paz que se semeia o fruto da justiça para os que promovem a paz” (Tiago 3:18 - ARA), cujo trecho final a versão ARC traduz "para os que exercitam a paz".

No Velho Testamento, a referência a "frutos de justiça" não é diferente.

Amós, o profeta conhecido por sua crítica feroz da injustiça social que assolava a sociedade israelita de sua época (século VIII a.C.), questiona: “Porventura correrão cavalos sobre rocha? Lavrar-se-á nela com bois? Mas vós haveis tornado o juízo em fel, e o fruto da justiça em alosna;” (Amós 6:12 - ARC), cuja frase final a NVI verte por "Mas vocês transformaram o direito em veneno, e o fruto da justiça em amargura".

Vale muito a pena ler o capítulo 32 de Isaías na íntegra.

Perceba que, neste capítulo messiânico, não se "romantiza" a miséria, o grande profeta faz uma forte crítica social e diz a partir do versículo 15:
até que sobre nós o Espírito seja derramado do alto, e o deserto se transforme em campo fértil, e o campo fértil pareça uma floresta.
A justiça habitará no deserto, e a retidão viverá no campo fértil.
O fruto da justiça será paz; o resultado da justiça será tranqüilidade e confiança para sempre.
(Isaías 32:15-17)
É de se estranhar, portanto, que os cristãos do século XXI tenham uma visão pasteurizada da sociedade em que vivem e não ajam efetivamente para combater a miséria não só espiritual dos seus concidadãos.

Orientação e exemplos para tanto não lhes faltam...



quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Ano novo, renove sua fé!




“O SENHOR lhe disse:
“Saia e fique no monte, na presença do SENHOR,
pois o SENHOR vai passar”.
(1 Reis 19:11)

Muitas vezes uma repreensão é uma bênção disfarçada. Elias precisava de que o tratassem assim para que se despertasse nele uma compreensão de seu temor infundado. Um indivíduo como ele não tinha direito a estar indeciso e descontente. Se saísse e se pusesse no monte diante de Jeová, em vez de esconder-se numa caverna, encontraria nova inspiração através de uma nova visão do poder de Deus! Quando estamos vivendo nos porões da terra, deixamos de captar as visões inspiradoras de Deus, que são o verdadeiro suporte da vida profética. Devemos sair ao sol e subir ao monte, se quisermos discernir essas provas do poder de Deus que estão sempre disponíveis para a renovação da fé e do valor diante de Deus.

A carriça de crista dourada é um dos menores pássaros que existem. Dizem que pesa somente 6 gramas e, mesmo tendo asas mais frágeis do que qualquer outra espécie, enfrenta furacões e cruza os mares do norte.

Muitas vezes parece que, na natureza, a onipotência opera somente nos organismos mais frágeis; certamente a onipotência da graça se vê em maior grau no santo temeroso mas decidido.

Nas pradarias norte-americanas, as mariposas se dirigem ao oeste nas suas migrações e avançam sem deter-se ainda que haja ventos contrários e um mar para atravessar. As delicadas mariposas me repreendem.

(“Manantiales en el Desierto”, Lettie Cowman, Ed. Vida-Zondervan, meditação de 28 de janeiro)



quarta-feira, 30 de setembro de 2015

O amor de Deus nunca muda


Leia Jeremias 31:23-25

“Porque eu, o Senhor, não mudo; (...) tornai-vos para mim, e eu me tornarei para vós outros, diz o Senhor dos Exércitos.” 
(Malaquias 3:6-7)

Todo verão eu viajo para a casa da minha infância, para visitar minha mãe. Ao fazer a curva da estrada que leva até sua casa, penso nos caminhos que a minha vida tomou, muitos deles marcados por circunstâncias difíceis e decisões que mais tarde lamentei. Eu me deleito em viajar pela estrada que me leva para casa, a casa que foi marcada por poucas mudanças ao longo de 50 anos. Voltar é sempre uma fonte de consolo, uma constante recordação do amor que conheci enquanto crescia.

Certa manhã, eu decidi caminhar pela mesma estrada pela qual andei tantas vezes quando criança. Pouca coisa havia mudado. A mesma mata escura, margeando um lado da estrada, e o lago ainda estava escondido bem atrás da barragem.

Ao voltar para casa, pensei no amor imutável de Deus. Pensei nas mudanças e dificuldades que conheci desde os dias maravilhosos e despreocupados da infância. Porém, Deus sempre esteve ali. Como a estrada e a casa onde cresci, Deus é uma fonte permanente e confiável de conforto e amor.

ORAÇÃO: Amado Deus, obrigada por seres uma fonte constante de conforto e amor, principalmente quando a vida é difícil. Em nome de Jesus. Amém.

PENSAMENTO PARA O DIA: Em um mundo mutável, o amor de Deus não muda.

Sue H. Lynch (Georgia, EUA)

Oremos por alguém que esteja enfrentando uma grande mudança.

(“No Cenáculo”, Ed. Cedro, meditação de 15 de agosto de 2003)



quinta-feira, 30 de julho de 2015

Aposentadoria e desapego


Leia 2 Coríntios 5.17-21:

“E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; 
as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.”
2 Coríntios 5.17

Após muitos anos de ensino, eu me aposentei física, mas não mentalmente. Empacotei meus tesouros de ensino, mas ainda queria me agarrar a eles. Acabei doando algumas coisas a cada mês daquele primeiro ano, mas ainda não estava pronta para deixar que meu "novo eu" substituísse o antigo.

No verão seguinte, quando a noiva de meu filho começou a lecionar, eu mal pude esperar para ajudá-la. Dei-lhe um monte de materiais. Então lhe ofereci minha coleção de cartazes, repleta de lembranças dos muitos anos e técnicas especiais que usei para dar minhas melhores aulas. Para meu desapontamento, ela levou todos eles. Ao vê-la se afastando pela rua, caí no choro. No entanto, esse afastamento de parte de minha antiga vida tornou-se uma boa lição sobre o desapego.

Em nossa vida espiritual, nós freqüentemente aceitamos a Cristo de braços abertos, mas então nos agarramos firmemente às armadilhas do nosso antigo eu. Mesmo assim, Cristo gentilmente nos arrebata até que percebemos que Ele deseja nos renovar inteiramente. Com meus cartazes se afastando rua abaixo, uma outra parte desta nova aposentada tornou-se de Cristo para fazer com ela o que Ele desejar.

ORAÇÃO: Ó Deus, nosso Companheiro, ajuda-nos a entregar nossa antiga vida para que possamos estar livres para nos tornar as pessoas que Tu desejas que sejamos. Em nome de Jesus. Amém.

PENSAMENTO PARA O DIA

A que ainda me agarro e preciso largar?

Kathleen McDonald (Nova York, EUA)

Oremos pelos professores e professoras aposentados.

(“No Cenáculo”, Ed. Cedro, meditação de 13 de outubro de 2003)



segunda-feira, 29 de junho de 2015

Cerejas perigosas



Leia Deuteronômio 30:11-20

“Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te propus a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência.”
(Deuteronômio 30:19)

Subi a escada e enfiei a cabeça no meio da folhagem verde de uma cerejeira. Eu estava cercada de frutas escarlates e brilhantes, cada uma iluminada pelo sol matinal que brilhava no céu. Estava quente para o primeiro dia de junho. Enquanto colocava as cerejas num balde, tentei me distrair do calor desconfortável deixando minha mente vagar. Lembrei-me de que, embora a polpa da cereja seja deliciosa, seu caroço contém cianeto, um veneno mortal. Antes de comermos a polpa da fruta devemos descartar o caroço, ou corremos o risco de nos envenenar.

Foi então que me ocorreu que a vida é assim. Quase toda situação que encaramos tem o potencial tanto para o bem quanto para o mal. Todos os dias devemos escolher entre os dois. Se escolhermos ler a Palavra de Deus e viver de acordo com Seus mandamentos, estaremos escolhendo comer a polpa de uma fruta deliciosa. Mas se, ao contrário, escolhermos agir ou pensar de maneira má, arriscamo-nos a envenenar nossa alma. Foi então que me dei conta de que a dádiva da livre escolha pode nos abençoar ou amaldiçoar, dependendo das escolhas que fazemos.

ORAÇÃO: Ó Senhor, ajuda-nos a usar a sabedoria e o discernimento ao fazermos escolhas, de modo que possamos fazer a Tua vontade. Em nome de Jesus. Amém.

PENSAMENTO PARA O DIA: Minha escolha faz a diferença!

Sandy Miller (Indiana, EUA)

Oremos por alguém que esteja enfrentando uma decisão difícil.

(“No Cenáculo”, Ed. Cedro, meditação de 25 de agosto de 2003)

terça-feira, 28 de abril de 2015

Meu primeiro pai



“A capacidade negativa...
(é ser) capaz de estar no meio de
incertezas, mistérios, dúvidas, e
não teimar em recorrer
à realidade ou à razão.”
(John Keats, poeta inglês, 1785-1821)

Uma coisa estranha acontece quando eu entro, como artista convidada, numa turma de primeiro grau, na qualidade de artista em visita, para ler poesia e estimular as crianças a escreverem. É algo menos relacionado a mim, como indivíduo, do que ao poder da poesia, podendo ser, também, um efeito colateral do simples fato de que conheço muito pouco as crianças. Vou ao seu encontro como um quadro-negro esperando o giz. Descobri que, invariavelmente, não importa se a escola é pobre ou rica, no campo, na periferia ou na cidade, os garotos que o professor classifica como “bons alunos” serão capazes de escrever poemas e contos aceitáveis mas sem nada de extraordinário. Os poemas notáveis vêm do lado torto, isto é, dos maus alunos, aqueles que os professores costumam criticar por não participarem das atividades da turma.

Um dia, quando estava com alunos de quinta série de uma escola num bairro operário na Dakota do Norte, olhei de relance para a folha de um menino e vi as palavras “Meu Primeiro Pai”. Percebi que algo muito pessoal e profundo devia estar acontecendo. Não me lembro mais do que pedira que escrevessem, mas sei que não era nada tão invasivo como “faça um poema sobre alguém da sua família”. Era mais provável que tivesse sido um exercício livre, utilizando metáforas. Apesar da possibilidade de escrever sobre qualquer coisa, este menino escolhera falar sobre seu “primeiro pai”, e, embora sem interferir, conversei várias vezes com ele. Sua reação foi de surpresa e satisfação, quando mostrei que suas comparações eram tão boas que o tinham colocado, de imediato, em profundo contato com a metáfora. Ele escrevera sobre o pai:

“Eu me lembro dele,
como Deus em meu coração, eu me lembro dele no meu coração
como as nuvens lá em cima,
e sorvete de morango e bananas
quando eu era pequeno.
Mas, do que eu me lembro mais
é do seu amor,
grande como o Texas,
quando eu nasci.”

O menino me disse, cheio de orgulho, que nascera no Texas, mas nada falou a seu respeito. Sua professora, igualmente surpresa, foi quem me deu mais detalhes. Ela me contou coisas que não me surpreenderam, em função da minha experiência como artista convidada:

- Ele não é um bom aluno, e embora se esforce, nunca fez nada assim antes.

Em compensação, também me disse que o menino jamais vira o pai; o sujeito sumira da cidade no dia de seu nascimento.

Por incrível que pareça, foi gratificante para mim saber disso. Bastara a presença de um poeta em sala, dando aulas sobre comparações e metáforas (oficialmente, para justificar a minha presença em termos reconhecidos pelo sistema educacional, era isso que eu “ensinava”), para permitir a este menino contar aos adultos em sua vida – sua professora, sua mãe, seu padrasto – algo que eles precisavam saber, que um “primeiro pai” é figura de realce em sua emoção. Como Deus em seu coração, diz ele em seu poema, revelando o íntimo de sua alma.

...

Todavia, são os outros alunos, os maus alunos, os marginalizados, geralmente dotados de uma forma de inteligência que não costuma ser apreciada na escola, os que me escutam com mais atenção. São estes meninos, para os quais o abandono e a frustração são a norma na escola e, de uma maneira geral, na vida – quem sabe, na noite anterior o namorado da mãe, bêbado, não cometeu algum abuso contra ele -, que se sentem na poesia como os patos na água. Às vezes, como aconteceu com aquele aluno da quinta série, eles descobrem que adotar uma voz poética pode dar ensejo a uma revelação. É como se, pela primeira vez na vida, estivessem livres para falar com suas próprias vozes. É sempre um prêmio – para o professor, para a turma e para mim – quando uma criança nos leva ao íntimo da poesia. Aquele garoto falou diretamente à nossa própria solidão e exílio e fez recordar que o nosso mundo cotidiano é mais misterioso do que imaginamos: quem iria imaginar que um menino comum, numa turma comum na Dakota do Norte, carregava consigo, o tempo todo, um amor e uma perda tão grandes quanto o estado do Texas?

...

O menino que escreveu sobre seu pai ausente tinha uma história a contar. Seu coração estava exilado, e a natureza catalisadora da poesia o ajudou a voltar para casa. E o catalisador da fé? Alimentando-se tanto da razão quanto de nossa habilidade para a capacidade negativa, a fé pode ajudar-nos a ver que nossas experiências mais valiosas são sempre aquelas que deixam em nós, como disse o escultor e crítico Edward Robinson, “um lembrete inconsciente... 2 mais 2 são iguais a 5”, experiências que nos obrigam a ter em mente que nosso relacionamento com os outros e com o mundo são mais misteriosos do que aceitamos admitir. No Universo feito por Deus, o mundo real a que chamamos lar, o amor é maior do que o Texas, e maior até do que a morte, e 2 mais 2 podem ser iguais a 0, a 11, ou mesmo a 4.

(Kathleen Norris, em “O Caminho do Claustro”, Ed. Nova Era, págs. 65 a 69 e 73)



quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Não estamos sós



Leia Êxodo 17.3-7

“Ferirás a rocha, e dela sairá água, e o povo beberá.”
(Êxodo 17.6)

No deserto, o povo hebreu reclamou de sede a Moisés. O Senhor mandou que ele fosse até uma rocha em Horebe, ferisse a rocha com sua vara, "e dela sairá água, e o povo beberá". O que eles precisavam, mais do que água, era da certeza de que não estavam sós. Para nós e para eles, diante da adversidade, experimentar a presença de Deus pode matar nossa sede espiritual como um gole de água fresca.

Lembro-me de um momento em que senti a presença de Deus. Eu tinha sido obrigado a deixar a faculdade por causa de um problema de saúde e não sabia se algum dia iria terminar os estudos. Mas chegou o dia em que pude me matricular para o meu último semestre. No caminho para casa, vi um lindo pôr-do-sol e parei meu carro ao lado da estrada para observar. Era final do dia e início da noite. À medida que o brilho avermelhado do sol se desvanecia no céu, a escuridão foi caindo sobre a mata e uma cerração lentamente desceu sobre o vale. Surpreso, me dei conta de que não estava só. Deus estava lá.

Deus estava com os hebreus no deserto. E Ele está com cada um de nós também.

ORAÇÃO: Quando nos encontrarmos no deserto, ó Senhor, que nos voltemos para Ti, sabendo que Tu desejas matar a nossa sede. Em nome de Jesus. Amém.

PENSAMENTO PARA O DIA: Deus nos oferece água quando estamos no deserto.

Edward Gardner (Indiana, EUA)

Oremos pelas pessoas que anseiam concluir ou iniciar os estudos.

(“No Cenáculo”, Ed. Cedro, meditação de 05 de fevereiro de 2004)



terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Natal é momento de perdoar


UMA LISTA DO QUE ESQUECER

por Lloyd John Ogilvie

Leitura bíblica: Efésios 4:25-32

Versículo-chave
“Antes dede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus em Cristo vos perdoou.” (Efésios 4:32)

Meditação: A prova de fogo de que aceitamos a dádiva do amor e perdão de Deus é sermos livres para dar início à comunicação do que recebemos. Paulo nos admoesta a não entristecermos o Espírito Santo. Fazer tal é negar o motivo por que Deus veio em Cristo: amar-nos e tornar-nos amáveis. Billy Graham disse: “Deus nos deu duas mãos – uma para receber e outra para dar”. Precisamos celebrar o Natal com ambas as mãos!

A quem você precisa perdoar?


Quem, em sua vida, está sofrendo de má nutrição espiritual por falta da sua aprovação, aceitação e confirmação? A quem você precisa perdoar? Perdão de quem você precisa procurar? Pense em como seria o Natal se todas as mágoas fossem expressas e houvesse verdadeiras reconciliações. Muitos estão sobrecarregados com a tensão interior dos “se tão-somente” e dos “que poderia ter sido” da vida. Estou certo de que a frustração que muitos sentem na época do Natal acontece em virtude das coisas lindas que fazemos e damos e que contradizem nosso verdadeiro sentimento. Talvez precisemos de dois tipos de listas de presentes: uma para os presentes que queremos dar e outra para as pessoas a quem precisamos perdoar e de quem precisamos receber perdão.

Natal é a época de lembrar e de esquecer.


O problema é que a maioria de nós tem memória melhor do que a de Deus. Lembramo-nos das mágoas e as acariciamos. A seguir gastamos nossas forças retribuindo, retirando e matando as pessoas à distância. Um dos maiores presentes que podíamos dar a nós mesmos na época do Natal é amor em ação. Henry Ward Beecher certa vez afirmou: “Dizer ‘posso perdoar mas não consigo esquecer’ é outro modo de dizer ‘não perdoarei!’”. Natal é a época de olhar para o rosto do Pai e dizer-lhe que você aceitou o seu presente de perdão e então reembrulhar a dádiva e dá-la aos outros.

Pensamento do dia: “Errar é humano; perdoar é divino”.

(Lloyd John Ogilvie, “O que Deus tem de melhor para a minha vida”, Ed. Vida, meditação de 19 de dezembro)


domingo, 30 de novembro de 2014

Fé restaurada


Leia Hebreus 11:1-6

“Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam,
a convicção de fatos que se não vêem.”
(Hebreus 11:1)

Como sempre faço, depois de um dia de trabalho, ao chegar a minha casa, fui direto à janela, ver os meus vasos de plantas. Infelizmente, não tive uma boa surpresa: alguém tinha quebrado e arrancado todas elas. Fiquei muito chateada ao ver minha planta favorita toda estraçalhada.

Todas as pessoas ao meu redor diziam que eu deveria jogá-la fora, pois não conseguiria reviver. Mas fiquei com pena e não quis fazê-lo. Passei a cuidar da planta todos os dias. Agora, meses depois, eu a vejo totalmente recuperada e com quatro botões prontos para florescer.

Diante desse fato, não posso deixar de pensar no nosso Deus, que restaura completamente a nossa vida, mesmo quando nos sentimos acabados, para que possamos florescer e ser mais um exemplo de Sua graça e misericórdia. Basta termos fé.

ORAÇÃO: Pai querido, permita que nossa fé não se abale, mas permaneça firme em Ti, mesmo quando não vemos saída para as nossas vidas. Em Teu nome, oramos. Amém.

PENSAMENTO PARA O DIA: O nosso Deus é o Deus do impossível!

Valéria Cristina Henriques (Rio de Janeiro, Brasil)

Oremos pelas pessoas que não acreditam no poder de Deus.

(“No Cenáculo”, Ed. Cedro, meditação de 08 de julho de 2003)